O modelo
O modelo q-votante não-linear é apresentado no artigo de Castellano:
📄 Nonlinear q-voter model
Claudio Castellano, Miguel A. Muñoz, and Romualdo Pastor-Satorras
Physical Review E 80, 041129 (2009).
Regras do modelo
Tempo discreto:
- A um dado tempo \(t\), escolha aleatoriamente um spin no nó \(i\);
- Escolha aleatoriamente \(q\) vizinhos do nó \(i\) (com possibilidade de repetição);
- Se todos os \(q\) vizinhos estiverem no mesmo estado, o spin original atualiza seu estado para aquele dos seus vizinhos;
- Caso os \(q\)-vizinhos não estejam no mesmo estado, o spin original muda com probabilidade \(\varepsilon\);
- O tempo é atualizado \(t\leftarrow t+1/N\).
Esta regra leva, naturalmente, à taxa de transição \(f\) de um determinado sítio \(i\). Sendo \(x\) a fração de vizinhos com spin diferente, então devemos levar em conta as probabilidades de:
- selecionarmos \(q\) vizinhos com spin diferente de \(i\), \(x^q\);
- selecionarmos \(q\) vizinhos com spin igual ao de \(i\), \((1-x)^q\).
Deste modo, \[f(x;q,\varepsilon) = x^q + \varepsilon\big(1 - x^q - (1-x)^q\big)\]. Utilizamos esta taxa para o algoritmo em tempo contínuo (Gillespie-like).
Processo de Markov em tempo contínuo, sendo \(N\) o tamanho da rede e \(\max_f=\max_x\left[f(x;q,\varepsilon)\right]\):
- A um dado tempo \(t\), escolha aleatoriamente um spin no nó \(i\);
- O spin de \(i\) flipa caso $f_i(x_i) r^_f $, com \(r^\text{r}\in[0,1)\),
- O tempo é atualizado por \(t\leftarrow t + \log(1-u^\text{r})/(N\max_f)\), com \(u^\text{r}\in[0,1)\).
Quantidades e definições
Dada uma rede \(\big(V,E\big)\) com \(N\) nós e matriz de adjacência \(A_{ij}\), definimos:
- Estados de spin no tempo \(t\), \[\xi_t:V\to\lbrace -1,1\rbrace,\]e.g. o estado do nó i: \(\xi_t(i)=\pm1\);
- Atividade da aresta (matriz de atividade) no tempo \(t\), \[\chi_t:E\to\lbrace 0,1\rbrace,\] com a lei de formação \[\chi_t\left(A_{ij}\right) = \begin{cases}0\cdot A_{ij},\,\text{ caso }\xi_t(i)=\xi_t(j)\,,\text{ e}\\ 1\cdot A_{ij}\,,\text{ caso }\xi_t(i)\not=\xi_t(j)\end{cases};\]
- Magnetização média por spin, \[\phi(t)=\frac{1}{N}\sum_{i\in V}\xi_t(i);\]
- Densidade de vértices ativos, \[\rho(t) = \frac{1}{||E||}\sum_{\eta\in E}\chi_t(\eta);\]
- Tempo de saída, \(\tau\): tempo (Markov) necessário para a rede atingir o consenso em simulações com tamanho finito.
Nos interessa diferenciar os comportamentos assintóticos possíveis do modelo. Podemos ter a ocorrência de:
- Clustering/consenso (fase ordenada/ferromagnética): dado dois nós diferentes \(i\) e \(j\) da rede, temos \[\lim_{t\to\infty}\text{P}\big[\xi_t(i)\not=\xi_t(j)\big]\to0;\]
- Coexistence/fragmentação (fase desordenada/paramagnética): caracterizada pela existência de uma distribuição estacionária com quantidades macroscópicas de sítios nos estados -1 e +1.
Assim, adotando a notação \(_\infty\) para grandezas assintóticas (isto é, medidas em \(t\to\infty\)), definimos, também: - Probabilidade de consenso: probabilidade de termos \(\sum_i^N|\xi_\infty(i)|=N\), de modo que é equivalente ao valor esperado de \(\phi_\infty=\pm1\), \(\mathrm{E}\big[\phi_\infty=\pm1\big]\), e ao valor esperado \(\rho_\infty=0\), \(\mathrm{E}\big[\rho_\infty=0\big]\); - Probabilidade de saída: probabilidade de termos \(\sum_i^N\xi_\infty(i)=N\), isto é, do sistema chegar ao estado de consenso +1, equivalente a \(\mathrm{E}\big[\phi_\infty=1\big]\).
Desse modo, a ocorrência de clustering é caracterizada por \(\mathrm{E}\big[\phi_\infty=\pm1\big]\to 1\), enquanto a ocorrência de coexistence, por \(\mathrm{E}\big[\phi_\infty=\pm1\big]\to 0\); ou, ainda, respectivamente, \(\mathrm{E}\big[\phi_\infty=\text{sgn}(\phi_0)\big]=1\) e \(\mathrm{E}\big[\phi_\infty=\pm1\big]=0\).